6 formas de fazer intercâmbio na Coréia do Sul

Imagem via: intercâmbio e viagens

Estudar na Coreia do Sul tem se tornado cada vez mais o sonho de muitos brasileiros que querem ter uma vivência no país. Porém, muitas vezes, as informações são escassas e devido a isso, os programas de intercâmbio são um pouco mais difíceis de achar. Enxergando este problema, a KoreaIn foi a procura de bolsas de estudo na Coreia do Sul para vocês. Além disso, conversamos com alguns estudantes brasileiros que já foram morar e estudar no país. 

A busca pelo melhor intercâmbio na Coréia do Sul pode ser demorada e trabalhosa, mas conhecer um lugar que você sempre desejou não tem preço. Para se preparar para o intercâmbio, é necessário definir quanto você pode pagar e se você pode pagar por isso.

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Existem programas pagos e de graça e, aqui no Brasil, existem os programas de curta duração, que visam realizar uma imersão cultural com o aluno. Os estudantes normalmente realizam um curso de coreano de algumas semanas e conhecem o país durante esse período. Visitas em cafés, pontos turísticos famosos e bairros badalados fazem parte do roteiro dessas viagens. Agências como World Study e ETC Intercâmbio têm programas assim, você pode conferir as informações completas no site de cada uma!

Além dos programas das agências, é possível realizar intercâmbios com universidades parceiras à sua! Como foi o caso da Ana Luiza Camargo, que estudou um ano na Hanyang University. Muitas universidades daqui possuem convenio com as universidades coreanas, o que facilita o processo de admissão. Confira abaixo, o depoimento da Ana Luiza:

“Sempre tive o sonho de fazer um intercâmbio. Nos anos finais da faculdade, eu estava buscando programas de intercâmbio da minha universidade para poder realizar o meu tão sonhado intercâmbio. Na época, eu estava apaixonada pela Coreia, pela cultura, pela música e novelas, então não foi surpresa eu escolher ir para a cidade de Seul, quando vi que uma das universidades conveniadas à minha era a Hanyang University.”

“Para participar, tive que fazer algumas inscrições e um processo seletivo. Como o intercâmbio era um programa de convênio entre a minha Universidade e a Hanyang, a minha universidade aqui do Brasil fez um processo seletivo. Para passar na seleção, precisei enviar meu histórico escolar e fazer uma prova de proficiência em inglês e uma entrevista. Depois de passar na seleção, quem enviou minha inscrição para a Hanyang foi a minha própria universidade. Depois disso, a Hanyang me mandou uma lista de documentos que eu precisava enviar e passos que eu precisava seguir. Depois de cumprir com todos os requisitos da Universidade coreana, eu fui aprovada pela Hanyang para fazer o programa de intercâmbio de 1 ano lá.
A experiência foi incrível! Assisti aulas relacionadas ao meu curso, todas ministradas em inglês. Tive aulas de coreano também, e cada coisa nova que aprendia era reconhecida pelos coreanos, que ficavam super felizes de eu saber falar em coreano, mesmo que fosse bem pouco. Os professores eram super bacanas e os coreanos foram bem receptivos, tanto comigo, quanto com os qualquer outro brasileiro. Me diverti muito, aprendi muito, conheci pessoas de todos os lugares do mundo e pude viver pessoalmente a cultura coreana que eu tanto admirava.”

Bolsas de Intercâmbio

Além das modalidades pagas, existem também as bolsas de estudo para o país. Muitas bolsas abarcam 100% dos custos durante a realização da bolsa, e algumas cobrem boa parte da sua vivência lá, como é o caso do curso intensivo de coreano da Geumgang University, situada na cidade de Nonsan.

A bolsa da Geumgang cobre os custos do curso de coreano além de ajudar o aluno com uma bolsa auxílio, para cobrir alguns dos custos do programa. Conversamos com o Iverton Lima, que já fez parte do programa.

“A Geumgang University é uma universidade pública de origem budista, localizada na área rural da cidade de Nonsan. Com o intuito de fazer a universidade ser mais reconhecida dentro e fora da Coreia, ela passou a oferecer bolsas para atrair estrangeiros a estudar a língua coreana. A bolsa cobria os custos do curso (tuition, aula particular), que tem duração de 15/16 semanas (cerca de 4 meses) e contava também com um auxílio extra mensal em troca de algumas horas de conversação (em inglês) com os estudantes coreanos. Por outro lado, o custo de passagens, alimentação e dormitório ficavam como responsabilidade do próprio estudante (o dormitório por exemplo custou aproximadamente 400 dólares por todo o período). O processo de aplicação consiste é claro nos tradicionais documentos e formulários, tanto quanto no envio de um vídeo de “self introduction” (auto introdução), onde você pode falar sobre suas experiências e porque deseja estudar coreano. Eu apliquei para a bolsa, acho que em março de 2017, para então começar a estudar na GGU a partir de setembro. Após ser selecionado, recebi os documentos da universidade em minha casa e apliquei  para o visto no Consulado da Coreia, localizado em São Paulo. Ao perceber que a universidade ficava em um lugar meio isolado de tudo, fiquei com receio do onde estava me metendo. Mas o fato de já existirem duas brasileiras estudando lá naquele momento, além de uma outra estar indo comigo no mesmo edital, serviu de segurança e motivação para encarar aquele desafio. Estudei lá por dois semestres (terminei o básico e intermediário) e nesse tempo pude conhecer mais sobre a língua e cultura coreana, além de cultivar muitas amizades.”

É bom lembrar que a universidade fica localizada em uma província mais rural, então não tem as badalações de um grande centro, como Seoul! Mas, é possível curtir o espaço interiorano da Coreia do Sul, aproveitar as paisagens e aprender muito sobre a cultura local.


O GKS (Global Korea Scholarship for Undergraduate Students from Africa and Latin America), é uma boa oportunidade para estudantes de graduação, que queiram ter uma vivência à mais na Coreia do Sul. Esse programa, oferecido pelo governo sul coreano, tem como objetivo promover o desenvolvimento dos países parceiros por meio da educação. Durante o programa, o governo abarca os custos dos estudantes, como passagens aéreas de ida e volta, alimentação, hospedagem e outros.

O estudante Gabriel Thomas Dotta participou do programa e contou um pouco da experiência no blog Internacionalizese.

Passamos cinco semanas na Coreia, tendo aula de segunda à sexta das 9:00h às 18:00h. Os conteúdos abordados tratavam de administração pública, cooperação internacional e logística, com foco na experiência coreana. Além das aulas, tivemos que desenvolver pesquisas, que ao final do programa foram apresentadas e avaliadas em uma feira científica. Ao menos uma vez por semana era realizada também alguma visita técnica: a órgãos públicos, organizações internacionais sediadas no país, empresas nacionais de peso, como a Samsung e também a sítios históricos. Residimos e estudamos na Universidade Nacional de Incheon, localizada em Songdo, em Incheon, cidade portuária vizinha da capital Seul. Songdo é um território que até recentemente era mar, tendo sido transformado em terra sobre a qual se edificou uma cena urbana. É chamada de “cidade do futuro”, planejada desde o zero há menos de uma década, repleta de tecnologias. Ali estão sediadas organizações como o escritório regional do Banco Mundial e a UNESCAP, comissão sub-regional com funções iguais às de nossa CEPAL; e também as principais indústrias do país, que ali são sujeitas a um regime tarifário diferenciado, visando promover a ocupação do território.”

“Há duas dicas que dou a qualquer aluno que tenha se interessado pela experiência. A primeira é que acompanhe as embaixadas dos países no Facebook. Foi ali que tomei ciência do processo seletivo para o programa. E a Coreia não é caso raro: muitos países possuem programas de bolsas desse tipo. A segunda é que se empenhe nas avaliações da faculdade. Sabemos que o método de avaliação na graduação é um tanto injusto, padrão que não é exclusivo da instituição ou mesmo do país. Infelizmente, porém, para o GPA, a média de todas as notas da faculdade, é o primeiro, talvez o mais importante, critério de seleção para bolsas desse tipo na maior parte dos países.

KGSP – Graduação, Pós-Graduação e Mestrado

Foto: Shutterstock

O Korean Government Scholarship Program é um dos programas mais conhecidos e disputados para quem quer ir estudar na Coréia do Sul. Além de cobrir todas os custos da universidade, o programa que é do governo, oferece uma generosa bolsa que garante a estadia do estudante no país durante o tempo do curso.

Um dos métodos de avaliação é o GPA, uma média geral de todo o seu curso, seja ensino médio ou graduação, então é bom garantir que suas notas sejam boas para o programa! Além disso, atividades extra curriculares são sempre bem-vistas em seleções do tipo!

A Jeiciane Torres, também da equipe KoreaIn, contou um pouco sobre o seu processo para conseguir a tão almejada bolsa do KGSP!

“O KGSP é a bolsa do Governo Coreano para estrangeiros de todo o mundo. Uma das mais completas do tipo, essa bolsa banca passagens aéreas, todas as despesas da universidade, plano de saúde e oferece uma ajuda mensal de 900 dólares.
O KGSP tem duas chamadas anuais: no primeiro semestre, os estudantes de pós-graduação (mestrado e doutorado) podem se aplicar; já no segundo semestre, é a vez dos alunos interessados em cursar a graduação em uma universidade coreana.
No meu caso, me apliquei para a bolsa de pós-graduação e vim para a Coreia em agosto do ano passado. Estudei coreano por um ano e agora, em setembro, começarei o meu mestrado em Cooperação Internacional.
Para quem tem interesse em se aplicar para o KGSP, as minhas dicas são: leia os editais dos anos anteriores, procure por pessoas que já se aplicaram e passaram, tire todas as suas dúvidas e comece a preparar a documentação e cartas de intenção com muita antecedência.
Além disso, a dica que creio ser a mais importante, tente pesquisar e aprender o máximo possível sobre a Coreia, a cultura coreana e as universidades para as quais quer se aplicar. Ao longo desse ano, conheci pessoas que vieram pra cá com pouquíssima noção do país e depois de alguns meses, só queria voltar para o país de origem.
No mais, boa sorte! E nos vemos na Coreia!

Além das bolsas citadas, existem muitas outras espalhadas pela internet, como o programa EGPP (Ewha Global Partnership Program), da renomada Ewha Womans University. O programa é voltado para jovens, de países em desenvolvimento, que demonstrem aptidão para ser tornarem líderes! Ele cobre os custos do curso e dormitório, além de oferecer uma bolsa auxílio.

Mais uma vez, encontrar um intercâmbio que esteja de acordo com a sua vida e o seu bolso pode ser trabalhoso, mas é recompensador! Fora isso, é preciso ponderar se você está disposto a viver, aprender e respeitar uma cultura diferente da sua!

Por: Jeiciane Torres e Yasmin Marcondes
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