Um breve panorama sobre os Escândalos da YG Entertainment

O mundo reagiu com pouca surpresa à notícia de que Yang Hyun Suk anunciara sua saída do posto de produtor principal da YG Entertainment, empresa a qual fundou e outrora imperava no seleto grupo das lendárias Big 3. Pouco depois, seu irmão e então CEO da empresa, Yang Min-Suk, também renunciou ao cargo.

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As renúncias ocorreram após uma série de escândalos da YG envolvendo Yang Hyun Suk e outros artistas da gravadora. Porém, o desgaste que a imagem da empresa sofreu nos últimos tempos faz parte de uma lista de problemas que há anos vem sendo noticiado. Isto ocasionou revolta nos fãs e até mesmo na sociedade coreana. Relatos de maus-tratos, má administração das carreiras dos grupos e diversas declarações polêmicas tornaram-no persona non grata entre os fãs de k-pop. Aqui veremos alguns dos motivos que podem ter ajudado a levar a isso.

Má administração e favoritismo

Durante anos, os fãs têm ficado frustrados com o descaso da gravadora com certos grupos. Enquanto alguns tinham vários comebacks por ano, outros passaram vários anos em hiato. A falta de promoção do 2NE1, por exemplo, resultou na saída de Minzy e, posteriormente, no disband do grupo, que, apesar de sua imensa fama, apenas teve 4 trabalhos de estúdio lançados.

Em uma entrevista para a Billboard publicada no fim do ano passado, Minzy comentou que haviam planos de lançar um álbum solo que, por meses, foi adiado e acabou por ser cancelado. Atualmente, o grupo que vem sofrendo o mesmo efeito é o BlackPink.

Outro caso que deixou muitos chateados foi o fato de Winner e IKON terem debutado com um intervalo de 1 ano, o que, segundo alguns, prejudicou a divulgação de ambos os grupos e ainda causou brigas desnecessárias entre fandoms.

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Mesmo sem dar a devida atenção aos seus artistas, alguns fãs acusavam YG de dar atenção demais para outros. Dentro de cada grupo, existem integrantes que são considerados “queridinhos” pelo produtor. G-Dragon seria seu preferido no BigBang, CL no 2NE1 e, a última adição à lista, Jennie do BlackPink. Os fãs do grupo ficaram extremamente desapontados ao observarem que Lisa recentemente se apresentou usando os mesmos figurinos usados pelas dançarinas no MV de “Solo”. Além disso, o anúncio de que todas as integrantes teriam lançamentos solos parece ter sido esquecido, o que nos leva a mais um motivo: promessas não cumpridas.

Solos da Minzy e das integrantes do Blackpink, debut de dois boy groups que deveriam ter acontecido ano passado… A lista de vezes que os fãs ficaram empolgados por novidades para, no fim, serem decepcionados é bem longa.

Maus-tratos e arrogância

Os comentários rudes de Yang Hyun Suk já figuraram em manchetes sensacionalistas em diversas ocasiões. Durante sua participação no programa MIXNINE – cujos grupo de vencedores acabou por ter seu debut cancelado – o público ficou chocado com a arrogância com a qual tratava os trainees. Porém, se isso foi o que foi mostrado, relatos mostram que o que acontecia nas dependências da YG, com os trainees da própria empresa, eram bem piores.

Yang Hyun Suk tem um histórico em destratar seus artistas, seja em comentários ou na longa lista de proibições as quais estão submetidos. Os idols não podem namorar, viajar, frequentar clubes, beber, fumar e nem sequer dirigir sem antes entrar em acordo com a gravadora. Exigências assim são comuns e outras gravadoras também possuem suas próprias, mas a forma depreciativa com a qual os artistas da YG eram tratados, deixavam e ainda deixam muitos fãs decepcionados.

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Um dos comentários bastante repercutido foi de Minzy, em uma entrevista publicada no ano passado, na qual falava sobre sua luta contra a depressão nos tempos de contratada com a gravadora, ela disse: “Pessoas, internautas criticavam o fato de, você sabe, nós não éramos o grupo mais bonito. Nós éramos o ‘grupo feio’. Eu não sabia como processar isso, eu apenas guardei dentro de mim. Era difícil. [Como grupo], fingimos que não era grande coisa e tentamos esquecer, mas você não consegue esquecer isso – é difícil. Eu tentava acompanhar as outras integrantes do grupo em termos de maturidade, mas quando se está contra esses girl groups que parecem super modelos e você está fazendo algo diferente – legal, mas diferente, você lida de maneira diferente.”  

Após a divulgação da entrevista, muitos fãs trouxeram à tona comentários de Hyun Suk sobre o grupo e a forma como se referia às integrantes. Na citada maturidade, vale lembrar que Minzy debutou aos 15 anos.

Acusações de prostituição

Apesar de todos os casos terem se perpetuado por anos e alguns serem até de conhecimento público, nenhuma dessas acusações foram de encontro à lei. Até então. A renúncia de Yang Hyun Suk de seu cargo na YG seguiu-se depois de acusações de que estaria vinculado ao esquema de facilitação de prostituição ligado ao caso da Burning Sun.

Em sua carta de renúncia, Hyun Suk se declarou inocente das acusações. O caso segue em investigação na polícia. Até o momento, não foram encontradas provas para comprovar o crime.

Delitos fora da Coréia

Além das acusações de mediação de prostituição, Yang Hyun Suk também foi acusado de participar de jogos de apostas enquanto esteve em Las Vegas.

Jogos de azar e apostas são proibidos na Coréia do Sul por conta de uma lei sancionada para proteger os cidadãos do risco de vício. Por mais que se trate de uma lei nacional, a validade dela é mundial. Portanto, se algum coreano for pego apostando em qualquer país, estão sujeitos a punições em sua terra natal.

A polícia também investiga se o dinheiro utilizado nas apostas estava ligado ao lucro de shows dos artistas da gravadora realizados nos Estados Unidos. Após ser convocado para depor sobre o caso, Yang Hyun Suk declarou que iria cooperar com as investigações. O caso ainda não foi fechado.

Os escândalos dos artistas

Além do próprio dono, a YG também teve diversos escândalos envolvendo seus artistas.

2NE1

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As polêmicas envolvendo o grupo vão além da já citada má administração da carreira das integrantes e do destrato com as mesmas. O caso que mais chamou a atenção da mídia foi protagonizado por Park Bom. Em 2014, a cantora foi acusada de contrabandear anfetamina para a Coréia. O escândalo, na época, resultou em um longo hiato do 2NE1 que, eventualmente levou ao fim do grupo. Apenas anos depois, a cantora sentiu-se confortável para falar sobre o caso e esclarecer os maus-entendidos.

VEJA TAMBÉM: Após 4 anos em silêncio, PARK BOM fala sobre incidente com “drogas” pela primeira vez

Segundo ela, a substância, por mais que proibida e considerada droga na Coréia, é vendida como remédio chamado Adderall nos Estados Unidos. A cantora usava regularmente o remédio para um tratamento de TDAH, a receita foi prescrita pelo seu médico americano. Ao tentar enviar amostras para sua avó na Coréia para continuar o tratamento na terra natal, agentes na alfândega do aeroporto de Incheon apreenderam. A acusação foi retirada após apresentação das receitas.


BIGBANG

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O grupo responsável por boa parte dos lucros da YG também não foi poupado das manchetes sensacionalistas. Tanto G-Dragon quanto T.O.P tiveram escândalos envolvendo o uso ilícito de maconha, em 2011 e 2017 respectivamente. No caso de G-Dragon, o caso ocorrido em um clube no Japão foi desconsiderado devido ao fato de ser réu primário e a quantidade encontrada em seu organismo ter sido pequena.


Também em 2011, Daesung se envolveu em um acidente, no qual foi acusado de matar um motociclista que estava na rodovia após um acidente. Investigações concluíram que a vítima tinha um nível considerável de álcool no sangue, o que levou-o a chocar-se com um poste. Um taxista que passava pelo local parou o carro e foi socorre-lo. Minutos depois, Daesung, que não viu o acidente, atropelou a vítima e bateu no táxi que estava parado perto. A polícia investigou o caso, mas não conseguiu concluir se o atropelamento de fato contribuiu para a morte da vítima, visto que já tinha sinais de fraturas causadas pelo choque contra o poste. Nessas circunstâncias, o cantor foi considerado inocente do crime.

T.O.P, por outro lado, teve a parte já concluída de seu serviço militar obrigatório cancelada e teve que mudar de posto, sendo retirado da polícia de Seul. Chegando a ser encontrado inconsciente em uma overdose medicamentosa após ingerir inúmeros de seus remédios para ansiedade e insonia. O rapper chegou a ser internado na UTI, ficando inconsciente por dias, e fãs acreditam que ele possa ter tentado suicídio, mesmo não tendo feito nenhuma declaração a respeito. Durante este período houve uma enorme revolta entre os fãs do grupo com a empresa, já que todas as declarações vindas de lá não condiziam com o real estado do artista, que só foi esclarecida com um pronunciamento bastante emocionado da mãe dele em uma coletiva de imprensa.

T.O.P no dia de sua despensa do exército despistou a imprensa e se encontrou com fãs em um local diferente, ele chorou durante a ocasião e se desculpou com todos

Seungri, por sua vez, antes de ser envolvido no caso Burning Sun, foi envolvido em polêmicas devido seu estilo de vida baladeiro. O maknae agora ainda encontra-se sob investigação sobre a mesma acusação de Hyun Suk, de jogar em cassinos de Las Vegas, já que nenhuma prova foi encontrada sobre as outras acusações.

Leia mais: [Dossiê] Burning Sun, Seungri e JJY: Uma linha do tempo do maior escândalo sexual no K-POP


IKON

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Em 2017 o IKON também teve uma polêmica envolvendo um post de Junhoe no Instagram. Em setembro do ano passado, o integrante postou na sua conta uma foto do diretor japonês Kitano Takeshi, famoso por dar declarações depreciativas sobre a Coréia do Sul. Os fãs alertaram Junhoe que, por sua vez, resistiu às criticas e não retirou a postagem. Mais tarde, além de apagar a foto, ele também postou um pedido de desculpas por ter preocupado a todos.

Além do caso da saída de B.I do IKON, que já falamos aqui, a polícia divulgou que B.I seria convocado para depor sobre sua possível compra de maconha em 2016. Após 14 horas de depoimento, ele admitiu algumas das acusações e, agora, passa a ser considerado suspeito. O caso deve ser repassado para a procuradoria. Yang Hyun Suk também deve ser convocado em breve para esclarecer as suspeitas de ter ameaçado a informante do caso, atrapalhando as investigações.

Todos esses casos somados refletiram nos lucros da empresa. As ações tiveram seguidas quedas após a polêmica da Burning Sun e da saída de B.I do IKON e da gravadora. Com o crescimento de outras gravadoras, estima-se que em breve a YG possa deixar o top 3 das maiores gravadoras coreanas.

Por: Greyce Oliveira
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